quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Playlist: Podres Poderes - Maria Gadú


Composta por Caetano Veloso e divulgada na década de 80, Podres Poderes, apesar de sua riqueza musical, é um vívido e infeliz retrato do campo político-social brasileiro. Sua gênese está diretamente relacionada ao processo de redemocratização do Brasil, momento apontado por muitos como de incertezas tanto na esfera internacional - representada pela insegurança quanto às utopias oferecidas pelo socialismo e pelo capitalismo - quanto na esfera nacional, marcada por movimentos como o Diretas Já. 

As supracitadas incertezas deste tempo podem ser sentidas através das indagações: "Será, será, que será? Que será? Que será? Será que essa minha estúpida retórica, terá que soar, terá que se ouvir por mais zil anos?" Contexto que se aproxima dos nossos dias, principalmente quando nos vemos submergidos em uma crise política e em um processo de desmoralização das instituições do país. Como se não bastasse, às vésperas de novas eleições, pesquisas apontam que os dois pré-candidatos mais cotados para assumirem a Presidência é um ex-presidente recentemente condenado por corrupção e lavagem de dinheiro de forma bastante questionável, e um inútil parlamentar que se sustenta através de falas ultra-conservadoras que incitam o ódio. Brasil incerto e polarizado. 

Diante das incertezas que marcaram aqueles dias de 1986, Caetano demonstra aversão à inércia do povo que inserido em um contexto onde "tudo é muito mau", onde "morrer e matar de fome, de raiva e de sede são tantas vezes gestos naturais" e onde o sangue jorra "nos pantanais, nas cidades, caatingas e nos gerais", continuam a avançar os sinais vermelhos, a mergulhar em imbecilidades e procurar apenas pelos êxtases dos carnavais. Fatos que nos aproximam novamente do contexto em que a canção foi escrita, porque é nítido que nos mantemos inertes diante do processo de desestruturação de direitos impostos pelo atual governo, os abusos cometidos pelo Judiciário, a desconsideração aos gritos dos Movimentos Sociais, às corriqueiras mortes em nome do agronegócio. 

Em meio às suas indignações, Caetano ainda questiona: "Será que apenas os hermetismos pascoais, e os tons, ou mil tons, seus sons geniais, nos salvam, nos salvarão dessas trevas e nada mais?" E aqui há menção à música brasileira que contava com figuras como Tom Jobim e Milton Nascimento, responsáveis por impulsionar, de certa forma, a população a pensar sobre conjuntura político-social em que estava inserida. Diferente, no entanto, dos nossos dias, em que a MPB, como disse Lulu Santos, aparentemente regrediu à fase anal. E embora existam vozes que nadam contra essa maré, as mesmas não são valorizadas como deveriam, elas não são o que se quer ouvir. 

E assim, preocupados com a forma da Terra, formando opinião com base em "fake-news", questionando se nudez é arte, promovendo boicotes a canais de TV e tentando enquadrar o Nazismo em espectro político, assistimos ao exercício daqueles que detêm o poder e trabalham apenas pela conquista de seus próprios interesses. Após mais de trinta anos, esse retrato ainda não desbotou, mas permanece com cores vivas. Por conta disso, toda a construção retórica de Caetano, como ele mesmo aponta em tom profético, ainda precisa soar e ser ouvida. 

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Welcome

Não se assuste pessoa, se eu lhe disser que a vida é boa. Enquanto eles se batem, dê um rolê e você vai ouvir. (Novos Baianos)

Dia desses abri uma das minhas redes sociais e vi o texto de alguém pedindo para que aqueles que nutrem um pensamento político-ideológico diferente do seu se retirassem dali e, se possível, que mantivessem distância. Segundo ele, as supostas divergências representavam um anseio por mundos opostos, logo, seria melhor que aquelas pessoas ficassem longe, sem nem precisar de despedidas. "Eu em meu mundo, e você no seu", enfatizou. 

Para mim este fato é um bom retrato dos nossos dias. Seja em interações virtuais ou pessoais, estamos perdendo a capacidade de interagir com aqueles que veem a vida sob uma perspectiva diferente da nossa. Construímos o nosso mundo de forma isolada para que ele não seja ameaçado por nenhuma outra forma, e a nossa cega adesão a determinadas opiniões sobre política, religião, economia, esporte, são como um indestrutível concreto. Percebendo isso no comportamento de tanta gente, a chegada de um discurso como o de Donald Trump a um dos lugares mais poderosos do mundo, e a crescente popularidade do que diz Jair Bolsonaro por aqui, não é tão inacreditável assim. 

Eu já fui um fanático religioso, as minhas teses teológicas eram verdades absolutas, e muitas foram as vezes em que me afastei de gente que resolvia bater de frente com o que eu defendia. Não havia muita tolerância aos que resolviam palpitar sobre as formas das minhas construções. Mas a solidez do meu mundo foi destruído no momento em que abri os meus olhos para perceber que não daria para viver bem dentro dele, toda a desaceitação ao diferente se converte em solidão, e como bem sentenciou Tom Jobim: "É impossível ser feliz sozinho". Seguindo essa lógica, talvez estejamos cada vez mais rodeados de gente infeliz. Portadores dos melhores aparatos tecnológicos, colecionadores dos melhores discursos, das melhores fotografias, dos maiores números de "likes", mas sozinhos e infelizes. 

No momento em que abri as portas do meu mundo para que todo tipo de gente entrasse, aprendi valores que jamais aprenderia sozinho. Hoje me esforço para que a passagem de cada um deles me mostre o que eu ainda não vejo, permito que a venda da aceitação cega a ideias seja removida, e dialeticamente fortaleço as minhas convicções quando ouço os seus diversos argumentos, ainda que estes pareçam ser tão absurdos. A solidão não nos permite negar as nossas desumanidades, não nos tira das águas do egocentrismo, não nos lapida. E se o sentido da vida for a particular promoção de uma evolução mental e/ou espiritual para que sejamos pessoas melhores, isso só ocorrerá quando aprendermos a cultivar os mais variados relacionamentos, a valorizarmos as pessoas simplesmente por serem nossos semelhantes, independente do que defendem, do que creem, do que ouvem, do que dançam, de quem beijam. 

É, entretanto, desesperador ser ensinado pela Vida sobre essas questões e ver tanta gente engajada na fria e isolada construção dos seus mundos. Mas insisto em nutrir esperanças, afinal de contas, como diz o ditado que crescemos ouvindo, ela não morre com tanta facilidade. Basta andar por aí determinado a enxergar a beleza que ainda nos resta para perceber que os mesmos dias que são marcados por extremos, são também marcados por gente que resolveu abrir as portas dos seus respectivos mundos. Entre por elas sem muitas cerimônias! E caso venha a se deparar com alguma porta fechada, não custa nada bater com todo respeito que só quem aprendeu pluralizar a existência sabe ter.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Playlist: Biquini de Natal - Marcos Almeida


A Terra faz festa pra Ele
O céu se estendeu sobre a praia
Deixa o verão te aquecer
A nossa rua dizer que é natal


Flocos de neve, bonecos de gelo, meias grossas, roupas pesadas, lareira, são alguns elementos característicos da comemoração de natal. Há em tal fato a inevitável influência de países que vivem o inverno neste período do ano. Até mesmo o São Nicolau de Mira, conhecido popularmente como Papai Noel, mudou-se para o Pólo Norte para se adaptar à realidade de países como a Finlândia. Conta-se que na década de 1950, o governo finlandês construiu uma vila na região da Lapônia que ficou conhecida como lar oficial do Papai Noel, fator que estimulava o turismo local. 

Talvez faça mais sentido associar o natal ao inverno se levado em consideração que a temperatura é baixa na região de Belém neste período do ano, mas este fato também é contestado por aqueles que apontam que provavelmente Cristo não nasceu em meio ao inverno, pois, segundo a Bíblia, no momento em que Ele veio ao mundo, pastores vigiavam seus rebanhos, tarefa que seria árdua demais para ser feita sob baixas temperaturas. Alguns estudiosos arriscam que o Nazareno veio ao mundo em tempo mais ameno, como em uma primavera de abril. 

Deixando de lado as (des)construções históricas, e todo o debate que gira em torno do real momento em que o Salvador veio ao mundo, verdade é que muitos dos elementos utilizados para comemoração do natal se distanciam da nossa realidade. Em um país tropical como o Brasil, pensar em bonecos de neve é, no máximo, pensar no quanto seria bom abraçá-los para amenizar o calor que marca os nossos dezembros e sinaliza a chegada do verão. Pensando nisso, o cantor e compositor Marcos Almeida, nos presenteou em 2014 com o single "Biquini de Natal". 

Trazendo a junção de imagens clássicas do natal, como a de luzes coloridas, e imagens típicas do verão dos países que estão abaixo da linha do Equador, Marcos Almeida aproxima a beleza da recordação do nascimento de Jesus de Nazaré à nossa realidade. Não mais neve, raios solares, não mais roupas pesadas, biquini... mas apesar de tais discrepâncias, os bons sentimentos que movem - ou deveriam mover - os corações dos homens neste período do ano os unem. Seja no inverno, seja no verão, a recordação de que o Eterno nos enviou o seu amado Filho, nos faz pensar sobre amor, graça, perdão, simplicidade, valores que independem dos elementos utilizados em nossas comemorações.

Biquini de Natal é, nas palavras do próprio Marcos Almeida, Cristo nos trópicos, o céu se estendendo sobre a praia, a paz que se sente quando vemos reconciliadas nEle identidade e eternidade, Brasil e Reino, pertencimento e jornada, uma boa pedida para aproveitar o nosso caloroso natal com bela trilha sonora. 

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Samaritano

Deus me proteja da sua inveja, Deus me defenda da sua macumba, Deus me salve da sua praga, Deus me ajude da sua raiva, Deus me imunize do seu veneno, Deus me poupe do seu fim. Deus me acompanhe, Deus me ampare, Deus me levante, Deus me dê força. Deus me perdoe por querer que Deus me livre e guarde de você. (Rita Lee)

Um dia Jesus estava se preparando para ir com os seus discípulos para Jerusalém. Por conta disso, enviou alguns mensageiros para fazerem os preparativos, os quais entraram em uma cidade samaritana, mas não foram bem recebidos, pois os samaritanos não desejavam ter a presença de Jesus  por ali. Se tratava de um povo que estava em conflito com os judeus, porque tinham uma convicção religiosa diferente. Os judeus evitavam qualquer tipo de contato com os samaritanos, e os acusavam de distorcer as escrituras sagradas. 

Sabendo da rejeição sofrida por Jesus, seus discípulos prontamente sugeriram: "Mestre, o senhor quer que invoquemos um raio do céu para acabar com eles?". Indagação que me soa familiar quando olho para os nossos dias, marcados por terreiros destruídos, gritos de caça às bruxas, invocação de guerras santas, boicotes infantis, anseio por armas, mortes. A familiaridade aumenta quando identifico que tais posicionamentos partem de pessoas que dizem ser seguidoras do Mestre de Nazaré. Pois é, qualquer semelhança, certamente não é mera coincidência. 

Diante da proposta violenta de seus discípulos, o Príncipe da Paz, por óbvio, os repreendeu: "Vocês não sabem de que espírito sois. Porque o Filho do homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las". Resposta que desestrutura todo muro construído por homens que insistem em não conviver com o diferente, em fazer de suas convicções morais, políticas, religiosas, a munição que precisam para destruir vidas. Se passaram mais de dois mil anos, e os que dizem estar perto do maior Mestre da Humanidade permanecem usando o divino como justificativa para a podridão dos seus corações egoístas, intolerantes, preconceituosos. 

Ao contrário do que esperavam, Jesus se relacionou com os samaritanos e derramou sobre eles o seu amor. Além disso, os exaltou em uma de suas parábolas, ao colocar um samaritano como alguém que teve sensibilidade suficiente para socorrer um indivíduo que estava ferido no caminho. Postura que, segundo a parábola, divergia dos judeus, que estabeleceram como prioridade os seus deveres eclesiásticos. Nisso, mais uma vez, o Mestre nos ensina que os seus seguidores tendem a colocar dogmas acima da vida, do humano. Nossa agenda está cheia de cultos, marchas, shows, subidas de montes, profecias, mas vazia do que realmente importa. E o Apóstolo Paulo já nos advertiu: nada disso adianta se nos falta amor! Nada disso importa se não somos humanos, altruístas, pacificadores, como Cristo foi e é. 

Tenho absoluta certeza, que existem inúmeros samaritanos da atualidade muito mais alinhados ao coração do Pai do que os doutores da Lei, e a minha oração é para que eu seja como eles. Sim, nesse mundo de "seguidores radicais", "loucos por Jesus" e afins, eu prefiro ser o bom samaritano. Humano, imperfeito, mas alinhado ao coração do Pai. 

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Deus do conreto

(...) qualquer religião que professe uma preocupação com as almas dos homens, mas não esteja igualmente preocupada com as favelas a que estão condenados, com as condições econômicas que os estrangulam e com as condições sociais que os debilitam, é uma religião espiritualmente moribunda, que só falta ser enterrada. Já se disse muito bem: Uma religião que termina no indivíduo é uma religião que termina. (Martin Luther King)

Ter tido espontâneo contato com as escrituras desde a infância sempre foi motivo de orgulho para mim, e a cada dia me convencia de que a soma resultante dos meus devocionais e de tudo o que ouvia na instituição religiosa que frequentava seriam suficientes para que eu entendesse as palavras do Eterno. Eram compreensões desvinculadas da minha relação com as pessoas, de uma análise da sociedade; uma fé baseada exclusivamente no plano espiritual. Deus estava lá, não aqui, se preocupava com o invisível, o visível era problema dos homens que se recusavam a ouví-lo. Eu nada tinha a ver com a Terra, era um cidadão do céu, e deveria perder a minha vida aqui para viver lá. Fugir disso era me corromper com o mundo. Ledo engano. 

Por escolher uma graduação que não era oferecida em minha cidade, saí de casa pela primeira vez. Morar sozinho e começar a trilhar a estrada acadêmica foram grandes instrumentos para um processo de mudança das minhas convicções em relação a muitas coisas, sobretudo, a minha forma de ver Deus. Por estar longe da instituição religiosa que sempre frequentei, fui condicionado a aprender com o Eterno no meu dia a dia como nunca antes. E eu O encontrei nas minhas relações com pessoas dotadas de características tão inusitadas se comparadas com as daquelas que eu vivia anteriormente. Eu O encontrei nos ônibus, em aulas, em reuniões, em confraternizações e no silêncio do meu quarto. Eu O encontrei nos momentos felizes, bem como naqueles dias em que tudo estava de mal a pior e eu só tinha a Sua companhia. Assim, aquele Deus tão metafísico dava lugar ao que foi apresentado por Jesus, um Deus que se encarnou por completo, que se relacionou, se identificou e participou de uma sociedade sendo relevante nela. Deus está no concreto.

Encontrar Deus no concreto é voltar a dar importância a todos os que estão ao redor. É entender que o Eterno não está confinado em um galpão, Ele nos fez igreja para que pudéssemos nos manifestar com amor e graça em todo lugar. Sendo assim, tão edificante quanto estar com outros cristãos em determinado lugar - por mais que isso seja imprescindível - é estar com muitos outros amigos e familiares que talvez não sejam cristãos; é estar com o diferente, e de coração aberto, humildemente, aprender com todos eles. Encontrar Deus no concreto é se indignar com os zilhões de problemas sociais do nosso país e entender que a luta dos marginalizados também é nossa, porque ouvimos o Mestre dizer: "Está vendo todos eles? São seus irmãos, ame-os como você ama a sua própria vida!" Encontrar Deus no concreto é entender que Ele, sendo amor, não pode ser entendido por meio de uma vida religiosamente uniforme e solitária. Encontrar Deus no concreto é sacralizar a vida como um todo, considerando-a como a tela que o Eterno-Pintor insiste em colorir.

Em meio a essa realidade que dia após dia se descortina no seio da minha existência, tenho estudado sobre a vida do pastor Martin Luther King Jr., um grande exemplo para nós. Através de sua autobiografia, organizada pelo professor Clayborne Carson, tenho me inspirado através de suas indignações diante das chagas sociais de seu tempo. Na obra, há relatos da luta contra a segregação racial em diversas cidades do sul dos Estados Unidos, sendo Birmingham a que apresentava maior resistência por parte dos segregacionistas. Nesta cidade, King foi surpreendido por uma carta redigida por determinados pastores pedindo o fim das manifestações. Nesse contexto, o pastor escreveu uma longa resposta a fim de defender o que estava sendo feito por ele e os demais ativistas; uma inspiradora carta. Nela, King, entre outras coisas, lamenta a indiferença da Igreja da época:

"Em meio a uma vigorosa luta para livrar nossa nação da injustiça social e econômica, ouvi muitos pastores dizerem 'Trata-se de questões sociais nas quais o evangelho não tem nenhum interesse real'. E vi muitas igrejas se dedicando a uma religião totalmente transcendental que estabelece uma distinção estranha, não bíblica, entre corpo e alma, sagrado e secular. (...) Assim, com frequência a Igreja é uma voz fraca, improdutiva, com um som ambíguo. Assim, com frequência a Igreja é uma arquidefensora do status quo. Longe de ser ameaçada pela presença da Igreja, a estrutura de poder da comunidade em geral é consolada por sua aprovação silenciosa - e muitas vezes declarada - das coisas como elas são." (p.241-242)*

Diante de tudo o que tenho lido, posso dizer que o pastor Martin Luther King Jr. é, sem dúvidas, um grande exemplo de cristão que enxerga Deus e sua obra no concreto, e em meio a um forte contexto religioso marcado por mobilizações voltadas apenas ao plano espiritual - que exigem menos sacrifícios - é bom ser despertado por um referencial como ele.

Não digo tudo isso por não crer nos benefícios advindos do plano espiritual, eles são inegáveis, mas também é verdade o fato de que não temos uma fé viva se esta é completamente pautada em espiritualidades. O apóstolo Tiago, indaga (Tiago 2:14-17): Do que adianta eu dizer que tenho fé, se não tenho obras? Do que adianta dizer que tenho fé em Deus, e ao ver um necessitado nada faço no concreto? A fé sem nenhuma obra não tem vida, é morta. Ouso dizer, então, que a fé fundamentada em um Deus metafísico não é viva. O Eterno nos convida a viver o caminho da fé que vive, uma fé que nada contra a corrente da religiosidade e da espiritualização exacerbada que nos impede de dizer com clareza: Deus está aqui.



*CARSON, C. (org.). A Autobiografia de Martin Luther King. Tradução de: Carlos Alberto Medeiros. 1. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2014.